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SAÚDE COLETIVA: Coletânea. Número 1. Vol.1. Outubro/2007. ISSN 1982-1441



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8. Saúde bucal: análise da eficácia dos meios mecânicos de prevenção

 RESUMO

Dentre os problemas de saúde bucal, pode-se destacar a cárie dentária, definida como uma doença infecto-contagiosa, que resulta em uma perda localizada de minerais dos dentes afetados. Atualmente o modo mais seguro de controle da cárie é a limpeza utilizando-se meios mecânicos, isto é, uma escova de dentes e outro recurso de higiene, utilizado diretamente nas superfícies dos dentes. Nosso objetivo foi analisar os meios mecânicos de prevenção à cárie dentária, utilizados pelas crianças do Projeto Criança Crescendo, no município do Crato-CE. Para isso nos propomos a uma pesquisa de campo, de natureza exploratória, com uma amostra de 48 crianças, de 4 a 9 anos, seus pais e responsáveis. Os dados foram obtidos a partir de um formulário, e de observação participante com roteiro. A pesquisa constatou que, apesar da escova de dentes ser utilizada por 91,6% dos sujeitos, muitos fatores evidenciaram a necessidade de programas de educação em saúde bucal. Desde o desconhecimento dos pais sobre o que é cárie, até o desconhecimento dos sujeitos, quanto a técnicas correta de higiene bucal. Portanto torna-se urgente a implantação de um programa educativo que, atenue a prática incorreta da higiene bucal, evidenciada, e estimule a comunidade a se organizar, visando solicitar às autoridades um programa preventivo de saúde bucal, para esta localidade.

Palavras-chave: Meios mecânicos, Prevenção, Cárie.




 INTRODUÇÃO

A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, dentre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso a bens e serviços essenciais como previsto na Lei 8080/90 (BRASIL, 1990), que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde.

Cada vez mais procura-se entender a questão da saúde bucal, inserida em um contexto social. A aproximação da odontologia aos conceitos sociológicos implicaram na consideração dos determinantes sociais no processo saúde-doença bucal, o que em uma visão epidemiológica, deve resultar em uma nova prática, identificada no campo da saúde coletiva, e que vem sendo denominada “Saúde bucal coletiva” (BOZZANO et al, 1988).

Dentre os problemas de saúde bucal, tem sido destaque a cárie dentária, que pode ser definida como uma doença infecto-contagiosa, que resulta em uma perda localizada de miligramas de minerais dos dentes afetados, causada por ácidos orgânicos provenientes da fermentação microbiana dos carboidratos da dieta. Esta doença tem caráter multifatorial e é, usualmente, crônica.

Seu aparecimento é dependente da interação de três fatores essenciais: o hospedeiro, representado pelos dentes e a saliva, a microbiota da região e a dieta consumida (BARATIERI et al, 1989).

A definição de cárie dentária na literatura científica tem sido enfocada por diversos aspectos (KÖHLER et al, 1984; LIÉBANA UREÑA, 1995, LLENA-PUY et al., 2000; LOESCHE, 1986. Uma definição mais aceita atualmente é a proposta por Dutra et al. (1997, p.293) que considera a cárie dental como “uma doença infecciosa crônica, transmissível, que causa a destruição localizada dos tecidos dentais duros, pelos ácidos provenientes do metabolismo das bactérias aderidas a eles”, Portanto, a cárie dental, segundo o autor, é uma doença infecciosa transmissível, e assim sendo, requer a presença de microrganismos cariogênicos para desenvolver-se. A aquisição de tais microrganismos ocorre, geralmente, nos primeiros anos de vida da criança, e eles são, na maioria das vezes, oriundos da própria mãe (BERKOWITZ; JORDAN, 1975, DAVEY; ROGERS, 1984).

A cárie dentária existe em todo o mundo, mas a sua prevalência e severidade variam nas diferentes populações, em função de uma série de variáveis. É a doença periodontal, com prevalência em torno de 98% da população, constituindo-se assim, numa “doença de massa”, uma vez que, pela sua severidade e extensão dos danos, produzem efeitos devastadores na saúde de nossa população (CHAVES, 1986; PINTO, 1989; BRASIL, 1988).

Tal a relevância deste problema, que a Organização Mundial de Saúde (OMS), juntamente com a Federação Dentária Internacional (FDI), propôs, em 1981 metas de atendimento a serem alcançadas de 2000 a 2010, uma vez que o Brasil havia assinado um protocolo de intenções e que os dados de 1986, sendo os únicos dados disponíveis para o agravo da cárie dental, revelavam um quadro preocupante: no grupo etário de 15-19 anos, cerca de 1,5% da população já necessitava de prótese total e no grupo etário de 50-59 anos, 72,87% das pessoas necessitavam de prótese total, evidenciando claramente a falta de cuidados com a saúde bucal.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os índices de cáries no Brasil são altíssimos e existem dados alarmantes que comprovam que, 70% dos brasileiros com 10 anos de idade já perderam, pelo menos, um dente permanente (Rosa, et al., 1996). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2000), no Brasil existem cerca de 3 milhões de dentes cariados e são extraídos pelo menos 50 milhões de dentes por ano.

De acordo com Pinto (1989, p.415), “a cárie dental afeta 98% da população. Aos três anos de idade, as crianças já tem em média, sete cáries, aos sete anos, 50% dos dentes permanentes já estão cariados. Aproximadamente, 98% dos adolescentes apresentam, em média, 14 dentes afetados por cárie e a maioria dos brasileiros já perdeu 50% dos dentes aos 40 anos”. Esta estatística apresentada pelo autor, indica um fato muito importante:é fundamental educar a criança desde cedo para a prevenção das doenças dentais.

Nas últimas décadas a odontologia conheceu um formidável avanço técnico-científico na área de cariologia, com o desenvolvimento de tecnologia que permite o controle da atividade da doença da cárie, superando o entendimento de que o incremento da sua prevalência é uma fatalidade (ARAÚJO, 2000).

Segundo Pucca Júnior, dados oficiais mostram que mesmo dentre aqueles que recebem acima de seis salários mínimos mensais, 40% chegam aos 60 anos de idade completamente desdentados. Para se ter uma idéia da tragédia destes dados, estima-se que, se todas as pessoas tivessem acesso a atendimento odontológico, necessitaríamos que todos os cirurgiões dentistas trabalhassem oito horas por dia, durante 30 anos, desde que neste período, não surgisse mais nenhuma manifestação de doença bucal, para que conseguíssemos cobrir todas as necessidades da população. (2001, p.1)


Loesche (1993), descreve como principais meios mecânicos de prevenção a cárie, a escovação dentária, entretanto segundo o Autor, pesquisas demonstram que em geral, as pessoas mostram tendências a não escovar adequadamente os dentes. Também ressalta que esta situação tende a se agravar quando associada ao fato das cerdas da escova não penetrarem nas fissuras, nem alcançarem as áreas proximais propensas à carie.

O outro meio mecânico citado pelo autor é o uso do fio dental, para limpar as áreas interproximais da dentição. Estes fios, encerados ou não , tem acesso a superfícies onde as cáries tendem a se iniciar. Dependendo da habilidade de quem o utiliza, podem exercer uma ação de limpeza mais eficaz que a escova dental.

Apesar da importância do fio dental, “...são poucas as evidências para demonstrar que a utilização do fio dental pelo paciente pode realmente prevenir a instalação do processo carioso nessas áreas” (LOESCHE, 1993, p. 213).
Segundo Cavalcanti e Queiroz (2002), a escovação dentária é considerada um dos meios mecânicos mais fáceis e efetivos na prevenção da cárie e das periodontopatias, que não estão entre as doenças bucais mais comuns, e que possuem como fator etiogênico principal, a placa bacteriana.

O uso correto da escova dental e do fio dental, poderia controlar ou dificultar o acúmulo da placa bacteriana sobre as superfícies dentárias, sendo necessário para isso, uma eficiente educação em saúde, com motivação e orientação.

O sucesso das medidas preventivas depende muito da motivação que se oferece às pessoas a serem atendidas. É necessário que se compreenda o porquê daquilo que se é ensinado. Além das crianças, em um programa, também os pais devem ser orientados, pois caberá a eles a tarefa de supervisionar a escovação dos filhos, ao menos uma vez no dia. (SANTOS, 1990).

Dimbarre e Wambier (1996) evidenciam a importância de orientarem técnicas de higiene que permitam a criança facilidade no seu aprendizado, possibilitando eficiência na remoção da placa, somada a motivação, para efetivamente se alcançar a almejada saúde bucal.

Pinkham et al (1996) acreditam que o início da remoção da placa deve ser feito cedo, e isto ajudará a estabelecer um hábito de cuidados orais para toda a vida. Uma boca livre de doenças trará satisfação, não somente para os pais e às crianças, mas também à equipe odontológica que forneceu as informações, instruções e reforço.

Muitos são os métodos que podem ser utilizados na higiene oral. Carranza júnior e Newman (1997) descrevem três métodos de escovação, que, se devidamente executados, podem realizar um excelente controle da cárie dental. São eles, o método de Bass, o método Stillman Modificado e o método Charlers. O método de Bass, consiste na colocação de uma escova macia, paralela com o plano oclusal, e com a ponta da escova cobrindo três dentes. Segundo os autores, deve-se colocar “as cerdas na margem gengival, estabelecendo um ângulo de 45o em relação ao eixo do dente” (Carranza Júnior e Newman, 1997,p.525). Aplica-se então uma pressão vibratória branda, ativando-se a escova com um curto movimento para a frente e para trás, sem deslocar as pontas das cerdas.

O método Stillman Modificado consiste na colocação da escova, de cerdas macias ou médias, de forma que a extremidade das cerdas repouse, parte na porção cervical do dente e parte sobre a gengiva adjacente, apontando em direção apical, em um ângulo oblíquo para o eixo longitudinal do dente. “Aplica-se contra a margem da gengiva, uma pressão capaz de produzir uma isquemia perceptível. A escova é ativada com 20 curtas vibrações de vaivém e simultaneamente movida em direção coronal ao longo da gengiva inserida, margem gengival e superfície do dente” (Carranza Júnior e Newman, 1997,p.526). Os autores ressaltam ainda que este procedimento deve ser repetido sobre todas as superfícies dos dentes, prosseguindo sistematicamente por toda a boca.

O terceiro método proposto pelos autores é o método Charters, que deve ser praticado com escova média ou dura. A mesma deve ser colocada sobre o dente com as cerdas apontadas para a coroa, em ângulo de 45o em relação ao eixo do dente. Segundo Carranza Júnior e Newman (1997,p.527), “as laterais das cerdas são pressionadas contra a gengiva e um movimento vibratório para frente e para trás é usado para massagear a gengiva”.

A escolha do método preventivo apropriado varia muito de acordo com a realidade de cada comunidade. Daí a importância de um levantamento das reais necessidades de orientação preventiva de cada comunidade, para que se possa planejar um programa preventivo adequado. A prevenção deve ser entendida aqui, em seu sentido etmológico, como ato de evitar que algo ocorra.

Apesar das muitas transformações tecnológicas e sociais que o mundo vem enfrentando, os profissionais de saúde bucal, ainda assistem perplexos, o avançar das dificuldades em motivar pais e crianças a um processo preventivo, ligado a higiene oral.

As instituições assistenciais sem fins lucrativos, muitas vezes não têm parcerias com profissionais liberais e poucos são os voluntários disponíveis. Isso expõe a população atendida por essas instituições à vulnerabilidade, com relação a determinadas questões, como por exemplo a utilização de meios mecânicos para a higiene oral.

Os números oficiais são muito abrangentes e, nem sempre retratam a situação em seus detalhes mais significativos. Aspectos sócio-emocionais, geradores de comportamento preventivo ou não, são muitas vezes desprezados. Por isso, apenas depois de um diagnóstico que leve em conta este detalhamento, é que pode se imaginar uma intervenção planejada.

Sabedores somos que qualquer intervenção, necessita de um estudo prévio para que se tenha uma idéia exata da necessidade da ação. Portanto, o interesse do presente estudo foi encontrar subsídios que justifiquem a viabilidade de uma ação orientadora. A comunidade assistida pelo projeto Criança Crescendo não possui nenhum trabalho sobre a temática, o que por si já justificaria a presente investigação.

O objetivo do presente estudo foi analisar os meios mecânicos de prevenção à cárie dentária, utilizados pelas crianças do Projeto Criança Crescendo, na cidade do Crato-CE. Para isso se fez necessário também identificar os conhecimentos da comunidade investigada sobre a cárie e suas formas preventivas; identificar os métodos de prevenção à cárie dentária, utilizados pela comunidade e, verificar se a comunidade utiliza a técnica correta de prevenção à cárie dentária.

Trata-se de uma instituição beneficente, sem fins lucrativos, que se propõe a atender crianças carentes em situação de risco. Atualmente acompanha 150 crianças, na faixa etária de 4 a 16 anos.

A população alvo constou das crianças atendidas pelo Projeto Criança Crescendo e de seus pais ou responsáveis. A escolha da amostra foi aleatória, observando-se os critérios de idade escolar de 4 a 9 anos completos no período da pesquisa, pois segundo a OMS (1960) é considerado adolescente a pessoa com idade entre 10 a 19 anos. Também porque nesta faixa de idade as crianças já receberam algum tipo de ensinamento sobre higiene, seja no lar ou na escola.

Foi selecionada uma criança por família, tendo em vista que os ensinamentos sobre higiene bucal, poderão ser estendidos às demais crianças residentes no mesmo domicílio, diversificando assim a amostra.

Os dados foram obtidos a partir de um formulário, e observação com roteiro especialmente construído para o propósito da pesquisa. A mesma incluiu um teste piloto para validação do instrumento de coleta. Através do formulário obteve-se as informações diretamente do entrevistado, onde o roteiro de perguntas foi preenchido pelo pesquisador, no momento da entrevista. Tratou-se de um instrumento adequado ao caso, pois que dentre os informantes houve pessoas não alfabetizadas e, porque foi uma oportunidade de esclarecer o propósito da pesquisa.

Dentre as variáveis que foram investigadas, estiveram: sexo; idade; renda familiar; se pratica algum tipo de higiene bucal, em caso positivo, quantas vezes por dia; se visita o dentista regularmente; época da última visita e os meios mecânicos utilizados na higiene bucal.


 ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS DA AMOSTRA

As idades dos sujeitos variaram entre 4 e 9 anos, sendo 38 sujeitos (80,0%) com idades entre 6 e 9 anos, idade em que se supõe já ter recebido alguma orientação sobre higiene bucal, em casa ou na escola. Segundo Massler (1969 e 1974), a cárie é uma doença que tem uma alta incidência na faixa etária de 4 a 8 anos, destruindo os dentes temporários e os primeiros molares permanentes. Portanto, uma idade altamente vulnerável, do ponto de vista preventivo.

Quanto a profissão dos pais, 14,6% está ausente na família. 6,3% encontrava-se desempregado. 12,5% informou ser agricultor, 10,3% comerciante e 6,3% camelô. 35,4%, trabalha em outras atividades, a maioria trabalha como autônomo, em atividades como: moto-taxista, carpinteiro, mecânico, pintor, relojoeiro, marchante, vendedor e servente. Trata-se pois, de uma amostra de pessoas que possuem uma remuneração incerta, de valor flutuante.

Em sua maioria, as mães são do lar (58,4%), não exercendo nenhuma atividade formal remunerada. 6,3% são comerciantes e 33,2% têm outras ocupações como: manicure, agricultora, professora, vendedora, empregada doméstica, auxiliar de produção, cabeleireira, faxineira, auxiliar de serviços gerais, costureira, camelô, auxiliar de limpeza e agente de saúde.

Normalmente o trabalho fora do lar, afasta muito a mãe do contato mais próximo com o filho, o que pode prejudicar o acompanhamento da higiene, em todos os níveis. No caso, 39,5% das mães exercem atividades fora do lar.

Quanto a renda familiar, observamos que os sujeitos são provenientes de lares muito simples, tendo em vista que 50% dos pais, têm renda familiar de até um salário mínimo. 37,5% percebe entre um e dois salários mínimos e apenas uma família, percebe acima de três salários mínimos vigente. A baixa renda pode ser fator importante na higiene oral, pois a prioridade com a alimentação, pode fazer com que os pais deixem de fazer a troca de escova dental de forma apropriada, subtrair o fio dental das compras, ou mesmo consumir alimentos de menor valor nutritivo, prejudicando direta ou indiretamente a saúde oral.

Alguns autores (Nikias et al, 1975; Barmes, 1976; Conffey, 1983; Sheiham, 1981), mostram que , embora o fator econômico, por si só, não exerça grande influência sobre a prevalência e incidência de cárie dental, é no entanto, um poderoso catalizador da inexistência de cuidados de saúde em geral e bucal específicamente, nas camadas de baixa renda.

Com relação a escolaridade dos pais e responsáveis, pudemos observar que 4,2% dos pais e 2,1% das mães, são analfabetos. Alguns pais (10,4%) não souberam inclusive informar a sua escolaridade. A maioria dos pais (75%) e a maioria das mães (87,5%), informaram terem completado os estudos de primeiro grau. 8,3% dos pais e 8,3% das mães informaram terem completados os estudos de segundo grau. Apenas um pai e uma mãe possuem nível superior. A escolarização dos pais é fator importante na transmissão de informações e disseminação do hábito da higiene oral para as crianças, que geralmente, os tomam como exemplo.

Segundo Cavalcanti e Queiroz (2002), é necessário que a criança entenda o porquê dos ensinamentos a escovação, de se indicar uma dieta pobre de açúcar e a necessidade de cuidar bem dos dentes. Além disso, segundo o autor, os próprios pais também devem ser orientados a respeito da importância de cuidar da higiene bucal e de supervisionar as crianças sob sua guarda.



 CONHECIMENTO DOS PAIS E RESPONSÁVEIS SOBRE A CÁRIE E SUAS FORMAS DE PREVENÇÃO.

Observou-se que, a maioria dos pais 64,58%, revelou que seus filhos consomem alimentos que contém açúcar à noite. Apenas 37,50% afirmou que observa se seus filhos escovam os dentes após as refeições. Um dado importante é que 91,67% dos pais revelou que seus filhos fazem uso de doces, salgados e/ou refrigerantes entre as refeições.

Segundo Medeiros (2000, p.410), “A dieta alimentar é um fator essencial para o desenvolvimento da cárie dentária, onde o açúcar encabeça a lista dos alimentos cariogênicos, sendo a sacarose, o açúcar mais cariogênico” e, tendo em vista que, a média do número de escovação dos sujeitos observados é de 2 vezes ao dia (52,0%) e, 31,3% escova apenas uma vez ao dia (ver tab 13), muito provavelmente estas crianças estarão sujeitas a um número maior de patologias dentárias.

Estas constatações, corroboram com os estudos de Ferreira (2001), que observou que uma dieta rica em carboidratos fermentáveis, saliva e higiene inadequada têm grande influência no desenvolvimento da cárie dentária. Estes fatores associados a uma inadequada higienização, aumentam os riscos, não só do desenvolvimento de cáries, mas também de outras doenças bucais.


– Número de vezes que os sujeitos escovam os dentes, por dia.

Paunio, et al., (1993) sugerem que a freqüência da higiene bucal, nas crianças, é um bom indicador de outros hábitos relacionados à saúde bucal. Também, segundo Fraiz e Walter (2001), o padrão de higiene bucal, faz parte de um conjunto de condutas familiares, com relação às questões ligadas à saúde, que freqüentemente seguem a mesma direção.

Na nossa pesquisa, 52% dos sujeitos escova os dentes, apenas duas vezes ao dia e apenas 14,6% escovam três vezes ao dia ou mais. Fica assim evidenciado a necessidade de uma intervenção em educação e saúde bucal, para estes sujeitos e seus familiares.


– Distribuição da forma como os sujeitos escovam os dentes


FORMA DE ESCOVAÇÃO:

NÃO ESCOVA..................01 2,1%
HORIZONTAL..................26 54,1%
VERTICAL....................02 (4,2%)
HORIZONTAL/VERTICAL.........13 (27,0%)
HORIZONTAL/LÍNGUA...........02 (4,2%)
CIRCULAR ...................01 (2,1%)
NÃO SABE/ NÃO RESPONDEU.....03 (6,3%)

TOTAL.......................48 (100,0%)


Know e Guedes-Pinto (1997, p. 475) afirmam que “a qualidade na higiene bucal é mais importante que a sua freqüência”. Portanto a forma correta de escovar é fator importante na eficácia da remoção da placa. Daí a necessidade do contato com o profissional desde cedo, para que possa receber os ensinamentos de como proceder a higiene oral corretamente.


- USA PARA A HIGIENE DOS DENTES

NADA.................. 01 (02,08%)
ESCOVA................ 44 (91,67%)
ESCOVA E FIO DENTAL.. 02 (04,17%)
ESCOVA E PALITO...... 01 (02,08%)

TOTAL ................ 48 (100,0%)


Observa-se à partir dos resultados que o uso da escova para higiene oral é prática comum para 91,67% dos sujeitos e que apenas 4,17% faz uso consorciado da escovação com o fio dental. De fato, segundo Cavalcanti e Queiroz (2002, p.1), “a escovação dentária é um dos meios mecânicos mais fáceis e mais efetivos na prevenção das cáries e das periodontopatias”.

Portanto, neste aspecto, a pesquisa confirma outros trabalhos sobre a temática.


– Distribuição dos resultados referentes ao principal motivo, revelado pelos pais e responsáveis dos sujeitos, de se levar uma criança, pela primeira vez ao dentista.

MOTIVO

PREVENÇÃO..................... 29 (60,4%)
JÁ TEM DENTE CARIADO.......... 16 (33,3%)
QUANDO ESTÁ TROCANDO OS DENTES 01 (2,1%)
QUANDO COMEÇA A DOER.......... 01 (2,1%)
LIMPAR A GENGIVA E EVITAR
FERIDAS NA BOCA............... 01 (2,1%)

TOTAL......................... 48 (100,0%)


Apesar dos pais revelarem que, o principal motivo de levarem seus filhos, pela primeira vez ao dentista, é a prevenção (60,4%), como se pode notar pela tabela anterior, há um desconhecimento sobre o que seja prevenção, já que os mesmos iniciam esta prevenção muito tarde. 64,6%, só inicia a ida ao dentista dos três anos de idade, em diante.


– Distribuição dos resultados referentes a quanto tempo os pais ou responsáveis, levaram os sujeitos ao dentista, pela última vez.

NENHUMA ................15 (31,25%)
MENOS DE UM MÊS........ 01 (02,08%)
UM A DOIS MESES...... 07 (14,58%)
TRÊS A QUATRO MESES ... 07 (14,58%)
CINCO A SEIS MESES..... 04 (08,34%)
SETE A OITO MESES ..... 04 (08,34%)
NOVE A DEZ MESES ...... 02 (04,17%)
ONZE MESES A UM ANO ... 07 (14,58%)
MAIS DE UM ANO ........ 01 (02,08%)

TOTAL ............... 48 (100,00%)


Os resultados da pesquisa revelaram que 31,25% dos pais, ainda não levaram seus filhos ao dentista, sequer uma vez.

Levando-se em conta a faixa etária dos sujeitos, entre 4 e 9 anos, observamos que há desinformação dos pais, quanto a importância da assistência preventiva, no que diz respeito a cárie dentária, que por sua vez, muito provavelmente, passa a influenciar os hábitos e costumes dessa comunidade.

Em consulta a literatura sobre a temática, observamos que, embora fatores biológicos sejam essenciais para o aparecimento de várias doenças, constata-se que outros fatores podem condicionar o surgimento e influir no ritmo de sua expansão. Dentre esses fatores estão o desenvolvimento econômico, social e educacional da comunidade, assim como os padrões de cultura e tradição que regulam os hábitos e as condutas pessoais e coletivas (PINTO, 1989). Alguns estudos demonstram que os hábitos adquiridos da mãe, podem influenciar no comportamento de sua saúde e do seu filho (MILGRON, 1998).

– distribuição das respostas dos pais ou responsáveis, com relação a pergunta: você poderia explicar o que é cárie?

Mancha..........................04 (08,34%)
Mancha que desgasta o dente.....09 (18,74%)
Sujeira nos dentes..............04 (08,34%)
Massa grossa que cria nos
dentes..........................01 (02,08%)
Massa grossa no pé dos dentes,
que inflama a gengiva...........01 (02,08%)
Carne que penetra no dente......01 (02,08%)
Inflamação nos dentes...........01 (02,08%)
Buraco no dente ................06 (12,50%)
Furo por acúmulo de alimento....04 (08,34%)
Um bichinho roendo os dentes....03 (06,25%)
Um micróbio que careia os
dentes..........................03 (06,25%)
Um verme que careia os dentes...02 (04,17%)
Uma destruição nos dentes.......04 (08,34%)
Quando o dente está estragando..03 (06,25%)
Dente podre.....................01 (02,08%)
Quando o dente está corroído....01 (02,08%)

TOTAL ..........................48 (100,00%)


Segundo Vale (2003, p.2), “a cárie dental é uma doença crônica, (...) se processa através da ação de bactérias que atacam os tecidos dos dentes (...) destruindo os tecidos orgânicos internos”. Alguns pais têm uma visão mais aproximada da literatura, sobre o assunto, , a cárie é algo que se pode notar, constatar: “trata-se de uma mancha que desgasta o dente” (18,74%); é um “buraco no dente” (12,50%); “uma destruição dos dentes” (8,3%); “um furo por acúmulo de alimento (8,3%); “sujeira nos dentes “ (8,3%) e “mancha”(8,3%). Outros pais, não tem uma idéia do que seja a cárie, como mostram as respostas: “massa grossa que cria nos dentes”; “carne que penetra nos dentes”; “inflamação nos dentes”; quando o dente está estragando”. Portanto, há uma demanda importante, com relação a orientação em saúde bucal, nesta comunidade.


– distribuição das respostas dos pais e responsáveis, com relação a pergunta: quantas vezes você acha que uma criança deve escovar os dentes?

NÚMERO DE VEZES

DUAS VEZES.................... 02 (4,2%)
TRÊS VEZES.................... 23 (47,9%)
QUATRO VEZES.................. 18 (37,5%)
CINCO VEZES................... 05 (10,4%)

TOTAL......................... 48 (100,0%)

Observe-se que 47,9% acreditam que uma criança deve escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia e 37,5% acreditam que quatro vezes ao dia seja suficiente. Segundo Vale (2003), o objetivo da higiene oral é a remoção da placa bacteriana, como principal fonte causadora de doenças cariogênicas. O autor recomenda que a higienização seja feita, sempre que o indivíduo julgue necessário, não o deixando de fazer, sempre, após as refeições. Dentre os motivos alegados para a escovação dos dentes , 97,92% dos pais ou responsáveis responderam que seria para remover restos alimentares e apenas um (2,08%), respondeu que seria para tirar os germes dos dentes. O que demonstra que o conhecimento sobre cárie que os mesmos têm, não é suficiente para assegurar a motivação necessária a uma mais efetiva higienização bucal.

Silver (1974), observou que a idade de início e a freqüência da higienização bucal, interferem positivamente na prevenção de cárie futura.


– respostas dos pais ou responsáveis, com relação a pergunta: quais os horários do dia em que a sua criança deve escovar os dentes?

Pelas respostas, observou-se haver uma demanda quanto a informações corretas sobre o porquê da escovação, tendo em vista que muitos pais não demonstraram compreenderem o verdadeiro sentido da escovação após as refeições. Apenas 8,3% acreditam que a criança deve escovar os dentes após as refeições e ao deitar.


– respostas dos pais ou responsáveis, com relação a pergunta: o que você acha que uma criança deve usar para fazer a higiene bucal?

Mais importante do que a seleção de métodos e substância a serem usadas na escovação, é a disposição e habilidade do sujeito para limpar os seus dentes, de forma a criar hábitos adequados de limpeza (Lindhe, 1985).

O autor porém, não descarta a importância da utilização de dentifrícios ou agentes atissépticos como o flúor, “em combinação com a escovação”, “...a fim de facilitar a remoção da placa, de forma terapêutica ou profilática” (p.269).

O fio dental apresenta-se ainda como uma outra alternativa, que deve ser incorporada aos hábitos de higiene bucal. Observou-se um número considerável de pais e responsáveis que acreditam na sua eficácia, conjuntamente com a escovação com pasta dental (56,2%).



 INFORMAÇÕES REFERENTES A OBSERVAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE ESCOVAÇÃO DOS SUJEITOS

– Técnica de escovação dos sujeitos

Vale (2003), afirma que o aumento da incidência de placa bacteriana está diretamente relacionada aos procedimentos e técnicas de higiene bucal. Neste sentido, não é somente o fato de escovar os dentes, que garante uma higiene adequada. A forma como essa escovação acontece, tem implicações importantes. Sobre o assunto, afirma o autor, que o indivíduo “que não se utiliza da técnica adequada de escovação e nem faz uso de métodos intermediários de higienização, como o uso de fio dental, permite o desenvolvimento da placa, nas superfícies de difícil acesso”(2003, p.2).

Segundo Lindhe (1985, p.266), “As intruções sobre as técnicas de higiene oral adequadas, só serão eficazes, se os pacientes considerarem sua saúde oral como um objetivo e um patrimônio valioso”. Deve-se portanto, dar aos sujeitos, informações detalhadas sobre suas condições dentárias pessoais e sobre a relação entre higiene oral e a presença de placa dental. Essas informações visam motivar os sujeitos a cooperarem com o tratamento preventivo.


- Resultados referentes a condições das cedas


CONDIÇÕES DAS CEDAS

RETAS.......... 22 (45,8%)
CURVAS......... 26 (54,2%)

TOTAL ......... 48 (100,0%)


Apesar de 87,5% dos pais e responsáveis afirmarem que trocam as escovas dos seus filhos na época correta (Tab 26), ou como visto na tabela 25, que 27,1% afirma que a mesma deve ser trocada pelo menos com dois meses de uso.

Observamos que 54,2% dos pais está negligenciando esta conduta no domicílio, haja vista a qualidade das cerdas observadas.



– Resultados referentes ao tipo de pasta utilizada


TIPO DE PASTA UTILIZADA

COM FLÚOR.............. 47 (97,92%)
SEM CREME DENTAL....... 01 (02,08%)

TOTAL ................. 48 (100,00%)


Clinicamente, as primeiras evidências da presença de lesão de cárie manifestam-se pela presença de uma superfície de coloração esbranquiçada, opaca e rugosa, reflexo do aumento da porosidade do esmalte, indicando a perda de mineral do tecido dentário. Localiza-se em zonas onde há o acúmulo de placa bacteriana (MALTZ e CARVALHO, 1997).

Os dentifrícios foram inicialmente introduzidos no mercado de vendas como um produto essencialmente cosmético. Somente à partir da década de 50, tornaram-se veículos de agentes terapêuticos, como os fluoretos, capazes de reduzir os índices de cárie dentária.

Segundo Couto, Oliveira e Vasconcelos (2002), “Os dentifrícios fluoretados são considerados os principais responsáveis pela redução da prevalência de cárie observada nos países industrializados, durante as últimas décadas”.

Para Hebling (1997, p.55), “o flúor só apresenta valor terapêutico, sendo assim verdadeiramente necessário”.


–Resultados referentes ao tempo de escovação

TEMPO DE ESCOVAÇÃO

ZERO A 5 MINUTOS............... 15 (31,25%)
5 A 10 MINUTOS................. 23 (47,92%)
10 A 15 MINUTOS................ 09 (18,75%)
15 A 20 MINUTOS................ 01 (02,08%)

TOTAL.......................... 48 (100,00%)


Fraiz e Walter (2001), observaram que a participação ativa da criança durante sua higiene bucal, pode ser considerada uma estratégia importante para aumentar a aceitação aos procedimentos de higiene bucal realizados ou propostos por adultos. Isto inclui também o tempo de escovação, pois a criança, não compreendendo bem o porquê da escovação poderá dispensar menos tempo na sua escovação, tornando esta insuficiente.

Araújo (1998), afirma que a função mecânica oral e a escovação facilitada, contribuem para o estacionamento da lesão (de cárie) ou podem provocar a remoção da camada superficial do esmalte, determinando o desaparecimento da lesão.

Na nossa investigação, 68,75% dos sujeitos, gastaram mais de 5 minutos na escovação. É possível que este resultado tenha sido influenciado por nossa presença, tendo em vista que Loche (2001) observou que, quando as crianças não estão sendo observadas, gastam menos de um minuto escovando os dentes.


– Utilização do fio dental

SIM............ 02 (04,17%)
NÃO............ 45 (93,75%)
AS VEZES....... 01 (02,08%)

TOTAL ......... 48 (100,00%)


O uso do fio dental para limpar as áreas interproximais da dentição vem sendo recomendado há muitos anos. Está fundamentado no fato de que a escova de dentes não tem acesso às superfícies proximais, onde muitas vezes a cárie se inicia.

Loche (1993), observou estudos sobre o uso do fio dental, avaliando 140 crianças, com idades variando entre 12 e 14 anos. Os resultados indicaram que o uso do fio dental, como medida preventiva, foi de grande valor, independente das condições dietéticas e de higiene oral.

Tendo em vista que, na nossa pesquisa a grande maioria dos sujeitos (93,8%) não faz uso do fio dental, sendo provável, portanto, que somente a escovação não será suficiente para impedir o aparecimento das placas bacterianas causadoras de cáries, uma vez que, muito provavelmente careçam de educação para a higiene bucal.


– Forma de utilização do fio dental

CORRETA................ 45 (93,75%)
INCORRETA.............. 03 (06,25%)

TOTAL ................. 48 (100,00%)


A limpeza com a escova de dentes comum, não elimina a placa de forma eficaz, nas áreas interdentárias (Lövdal et al. ,1958), portanto, para a remoção da placa interproximal, devem ser usados instrumentos auxiliares, dentre eles o fio dental.

A técnica correta de utilização do fio é descrita por Lindhe (1985, p. 267), “...o fio é cuidadosamente levado através do ponto de contato entre os dentes, até o contato entre o fio e as faces mesial ou distal dos dentes, quando então o fio é movido contra a superfície, usando um movimento curto de serra”. No nosso caso, 93,8% dos sujeitos conseguiram efetuar o uso do fio dental da forma correta.

Resta saber se os mesmos fazem uso regular deste, conjuntamente com a escovação, ou se esta utilização se deu apenas durante a nossa presença em seu domicílio.



 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os fatores envolvidos em uma relação de aprendizagem são muito complexos, e devem ser conhecidos de quem pretende desenvolver uma ação educativa. É essencial que se conheça a população que receberá a ação, quanto aos seus hábitos, formação, capacidade de entendimento de questões ligadas a saúde, interesses, etc. devendo ser estabelecida uma relação de efetividade entre educador e educando.

A prevalência de doenças bucais é uma lembrança constante da necessidade de programas efetivos de educação em saúde bucal.

Segundo Reisine e Douglas (1998), a condição sócio-econômica influencia na saúde do indivíduo, pelas dificuldades que o mesmo enfrenta para sobreviver com sua família, além das dificuldades de moradia, alimentação, emprego e estudo.

No estudo de Teixeira e Volschan (2000), dentre as mães de baixa condição sócio-econômica, 96,7% visitavam o dentista apenas por motivo de urgência, enquanto no grupo de mães de renda familiar elevada, 52% visitavam o dentista anualmente, para revisão e controle. No nosso estudo, tanto os pais, quanto as crianças necessitam urgentemente de tratamento e educação para a saúde bucal.

Para prevenir a doença cárie, é importante conhecer o que é a doença, como e porquê ela acontece, entender o papel da dieta, dos microorganismos e da higiene. Algumas concepções errôneas que as pessoas têm sobre fatores etiológicos, formas de prevenção ou tratamento podem influenciar negativamente o seu comportamento e reduzir o efeito de algum plano educacional REISINE e DOUGLAS (1998).

Além da identificação isolada dos fatores biológicos, outros fatores como: interesse dos pais quanto à saúde bucal, condições sócio-econômicas, comportamentais, psicológicas e culturais, devem ser abordados no diagnóstico e controle da doença, pois talvez, desta forma, seja possível alcançar uma efetiva mudança de atitude em relação à saúde bucal.

Pinkham (1996), A interpretação das manifestações emotivas das crianças, dependem muito de como os pais acreditam que as mesmas deveriam reagir a uma determinada situação. As condutas infantis levam a diferentes reações dos pais, em função de suas próprias experiências e expectativas, não sendo raro os pais sentirem-se seguros na sua adoção frente a recusa da criança. A ansiedade dos pais é superada pelo conhecimento, motivação e recuperação de sua auto-estima como pais.

A relação entre pais e filhos, no que diz respeito a higiene bucal das crianças, expressa através de suas atitudes com relação ao acompanhamento da higiene domiciliar, pode estar associado a diversos outros fatores capazes de influenciar o nível de saúde bucal da criança. (Fraiz e Walter (2001).

Sabemos que não basta educar bem e democraticamente, tornando-se necessário também fazer o possível para resolver os problemas da comunidade, ou para que ela crie condições para que seus problemas sejam resolvidos. É verdade que o recursos disponíveis não são suficientes para todos, mas igualmente é verdade que uma comunidade organizada tem maiores possibilidades de conseguir um mínimo de infra estrutura para lidar com uma problemática tão importante, quanto o é a saúde oral. O acesso a água tratada e fluoretada, o acesso a unidades de saúde que funcione adequadamente, são direitos da comunidade que podem ser exigidos por um grupo organizado e que podem minimizar em muito, alguns problemas ligados a incidência de cáries nas crianças.




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Sobre os autores:

1. José Genivaldo Parente é Odontólogo e Especialista em Saúde Pública pela Universidade Estadual do Ceará. (oxentti@ig.com.br);

2. Vitória de Cássia Félix de Almeida é Enfermeira e Professora Adjunta da Universidade Regional do Cariri.
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