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SAÚDE COLETIVA: Coletânea. Número 1. Vol.1. Outubro/2007. ISSN 1982-1441



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10. Panacéia de Emoções: a revolução de Data

 RESUMO

A Inteligência Emocional segundo Goleman (1995) constitui a capacidade de criar motivações para si próprio e de persistir num obstáculo apesar dos percalços; de controlar impulsos e saber aguardar pela satisfação de seus desejos; de se manter um bom estado de espírito e de impedir que a ansiedade interfira na capacidade de raciocinar, de se relacionar bem , ser empático e autoconfiante. Este tipo de inteligência tem como base as aptidões emocionais, cognitivas e comportamentais, essenciais aos profissionais que tem como sua essência o cuidar. Ao realizarmos esse estudo, nosso objetivo precípuo consistiu em traçar o perfil dos profissionais que compõem a equipe multidisciplinar do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para um padrão de inteligência emocional e, identificar as aptidões emocionais, cognitivas e comportamentais presentes nos sujeitos da pesquisa. Metodologicamente, a pesquisa é do tipo sociopoética com abordagem qualitativa. O estudo foi realizado no CAPS, no município de Crato, no período novembro de 2006 a agosto de 2007, com a equipe de profissionais do referido local. Utilizamos como instrumentos para a produção do conhecimento a escala de MEIS. Verificamos que a equipe analisada possui um bom nível de Inteligência Emocional e, um bom padrão para as aptidões da mesma. Com relação às aptidões emocionais verificamos que os participantes são detentores de controle de suas emoções diante de situações estressantes; cognitivamente são compromissados e conscientes de si e, na vertente comportamento conseguem se comunicar eficazmente. Enfim, os profissionais devem estar conscientes de todas as questões abordados no transcurso desse texto e em virtude disso fazer uma reflexão sobre o assunto, visto que a compreensão efetiva sobre a Inteligência emocional é de extrema importância para o melhor desempenho profissional e bem estar pessoal.


Palavras-chave: Inteligência Emocional. Profissionais do CAPS. Emoções.



 ONDE TUDO COMEÇOU...

A nossa vida é permeada de emoções e o interrrelacionamento humano do cotidiano é capaz de gerar conflitos. Emoções e conflitos enriquecem a nossa vivência. Os conflitos são gerados por qualquer acontecimento e de forma inesperada, uma vez que o ser humano tem uma capacidade criativa de raciocínio ilimitada.

Sempre buscamos como solução a vitória, mas, nos esquecemos que temos três opções válidas como resultado: a vitória, o empate e a derrota.

Contudo no final da batalha o que importa realmente é a paz interior, ou seja, o equilíbrio emocional.

Atualmente vivemos em um contexto onde as mudanças maciças são constantes.
Inovações tecnológicas, avanços genéticos e competição global fazem parte desse ritmo frenético. São essas transformações que estão mudando os parâmetros do mercado de trabalho, onde um novo tipo de competência, a emocional, está sendo requisitado aos profissionais considerados de primeira grandeza. A realidade mostra que os novos desafios de hoje estão exigindo novos talentos entre os quais, o desenvolvimento da chamada Inteligência emocional.

Quando falamos sobre esse tema devemos levar em conta que se trata de um velho produto com nova embalagem, ou seja, sempre se soube da existência desse assunto, mas agora ele está em evidência. Os estudos sobre o fato de que a inteligência não se resume ao domínio da lingüística e da lógica-matemática começaram a ser desenvolvidos por Howard Gardner, psicólogo da Escola de Educação de Harvad e foram publicados no seu livro Frames of Mind, de 1983, onde ele dizia que não é apenas um único tipo de inteligência que é decisiva para o sucesso na vida, mas sim um amplo aspecto da inteligência, admitindo que existam sete variedades principais, ou seja, esta é multifacetada.

Gardner utilizou o termo inteligência pessoal nos seus trabalhos em vez de emocional, pois admitia que tendesse a vê-la de uma maneira cognitiva.

O modelo de inteligência emocional foi proposto pela primeira vez por Solovey e John D. Mayer, em “Emotional Intelligence”, Imagination, Cognition, and Personality 9 (1990). Neste a definição básica de Gardner de inteligência emocional foi expandida em cinco domínios principais: conhecer as próprias emoções, lidar com emoções, motivar-se, reconhecer as emoções nos outros e lidar com relacionamentos. Mas, foi o psicólogo, PhD pela Universidade de Harvad , Daniel Goleman que popularizou o tema em 1995 com o livro “Inteligência Emocional” , onde foram feitas modificações dos estudos de Solovey e Mayer e acrescentado observações baseadas em outras descobertas científicas.

O surgimento da Inteligência emocional veio nos esclarecer os diversos fenômenos que ocorriam a nossa volta e que nos pareciam contradizer o conceito que tínhamos de indivíduos “bem dotados”.

Ao falarmos de Inteligência emocional estamos nos referindo à capacidade de entender, aplicar e sentir a astúcia e força das emoções que com seu poder avassalador é capaz de “mover montanhas” (Beltrán, 2004 e Campos; Presoto, 1998).


Inteligência Emocional (...), é a capacidade de criar motivações para si próprio e de persistir num objetivo apesar dos percalços; de controlar impulsos e saber aguardar pela satisfação de seus desejos; de se manter em bom estado de espírito e de impedir que a ansiedade interfira na capacidade de raciocinar; de ser empático e autoconfiante (Goleman, 2001, P.46).


Segundo Goleman (2001), as aptidões humanas relacionadas com a IE são divididas em cinco domínios principais: o autoconhecimento emocional, ou seja, a autoconsciência, principal ferramenta do equilíbrio emocional a qual é indispensável para o discernimento emocional e para a autocompreensão; controle emocional, diz respeito à capacidade de lidar com as emoções a fim de tornar o ser humano capaz de confortar-se, livrar-se de sentimentos como ansiedade, tristeza, raiva; automotivação, importante para centralizar a atenção e ter autocontrole emocional com o intuito de controlar a impulsividade e adiar a satisfação; empatia, ou seja, saber reconhecer os sentimentos e emoções nas pessoas que nos cercam de forma a identificar os sinais sutis das necessidades do próximo e a habilidade de relacionamento, essencial para o desenvolvimento da liderança e sensibilidade social. Goleman (2001) diz ainda que um dos programas mais eficazes para se determinar a presença e se prevenir transtornos emocionais é utilizar como ingrediente-chave a divisão das aptidões em emocionais, cognitivas e comportamentais, propostos pelo Consórcio W.T.Grant.

Nos últimos anos tem-se ouvido falar bastante em Inteligência Emocional no trabalho, mas nem sempre os profissionais discutem e empregam este conceito na sua vida prática. Ainda observa-se uma sociedade cada vez mais comprometida emocionalmente que, por falta de conhecimento, de consciência e de meios operacionais não modifica tal situação. A ausência da chamada Inteligência Emocional, hoje, em virtude desse novo perfil do mercado de trabalho das sociedades pós-modernas, dificulta a admissão e até mesmo a permanência dos trabalhadores nele, uma vez que o sucesso depende de habilidades como equilíbrio emocional e relacionamentos, já que atualmente, predomina o trabalho em equipe.

Os profissionais da saúde ao terem como objeto de trabalho o ser humano e mais especificamente o cuidado a ele fazem-se urgente o desenvolvimento das habilidades inerentes a Inteligência emocional uma vez que, ao estarem em contato direto com as demandas da saúde humana, estão mais suscetíveis a sofrerem abalos emocionais influenciados por um bombardeamento de emoções como: medo, desânimo, preocupação, felicidade, gratificação, incapacidade, tristeza, frustração, raiva, ansiedade, pessimismo, desânimo, satisfação, confiança, repulsa, culpa, entre outros, os quais surgem de variadas situações e interações vivenciadas junto aos seus clientes e aos seus colegas de trabalho, o que pode desencadear desajustamento emocional.

Uma das áreas críticas onde tais profissionais atuam é dentro da saúde mental que segundo a OMS é definida como a capacidade de estabelecer relações harmônicas com as pessoas e a contribuição significativa e construtiva nas mudanças no meio social e físico. O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é o local de atuação de tais profissionais, o qual está voltado para assistir pessoas com problemas de saúde mental, individual e coletiva.

Os CAPS - Centros de Atenção Psicossocial foram resultados de acontecimentos remodeladores da assistência psiquiátrica sendo ancorado na Reforma Psiquiátrica a qual reivindicava a negação manicomial e compreendia a necessidade de um melhor cuidado aos doentes mentais. A partir das idéias propostas pela Reforma, o Ministério da Saúde passou a preconizar que os pacientes com sofrimento psíquico grave deveriam ser assistidos em instituições que estimulassem à manutenção dos contratos sociais para com isso trazerem de volta os clientes para o convívio em sociedade.

O Centro de Atenção Psicossocial oferece um atendimento realizado por uma equipe multidisciplinar buscando com isso ser um espaço dinâmico, onde existam diversas formas de saber e conhecimento, composto, na maioria das vezes, por profissionais de ensino superior e médio: psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional, enfermeiro, assistente social, auxiliares de enfermagem, educador físico, pedagogo e auxiliares de saúde mental.

Os profissionais que trabalham no CAPS lidam com pacientes com diversos tipos de transtornos mentais como depressão, somatização, fobias, esquizofrenia, alcoolismo, transtornos alimentares, síndrome do pânico entre outras.

Muito dessas patologias possuem como base problemas emocionais bem como perturbações comportamentais afetando o bem-estar do indivíduo ou de um grupo social.

Com esse estudo almeja-se à compreensão do assunto abordado sobre a necessidade de esclarecer aspectos afins da Inteligência Emocional de forma a contribuir para o aprofundamento dessa questão, uma vez que por a Saúde Mental trabalhar com o psiquismo faz-se necessário que os profissionais cuidem primeiramente de si próprios para que possam oferecer um cuidado eficaz aos seus clientes.

Objetivamos com este trabalho traçar o perfil dos profissionais que compõem a equipe multidisciplinar do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para um padrão de inteligência emocional, uma ferramenta à saúde mental ao melhor desempenho, no seu cotidiano profissional e identificar as aptidões emocionais, cognitivas e comportamentais presentes nos sujeitos da pesquisa.



 FALANDO DA ARTE PENSANDO NO SER HUMANO... FALANDO NO CORAÇÃO DA MENTE...

- Os tipos puros de inteligência

A formação do ser humano completo implica mais do que habilidades lingüísticas e raciocínio lógico matemático. A sociedade pós-moderna na qual vivemos hoje exige mais do que essa duas aptidões, passando a solicitar dos profissionais competências no âmbito emocional.

Segundo Drongek (2003, p.07) “o homem pleno deve ser aquele que coloca o cérebro, o corpo, o coração e a alma na resolução de problemas”.

Dessa forma vê - se que já não se pode separar corpo e mente e já não se distingue tanto razão de sentimento, como se fazia antigamente. A abordagem passa a ser agora holística, onde tudo está constantemente em um jogo na forma de vários conjuntos de interseção.

A palavra Inteligência provém de duas palavras latinas, inte que significa “entre” e eligeu que significa “escolha”. De uma maneira geral esta palavra vai refletir a capacidade do homem de aprofundar-se na compreensão dos acontecimentos e fazer a melhor escolha (Drongek Apud Antunes, 2003, P. 07).

Atualmente o quociente de inteligência - QI, que não nos dá mais do que uma indicação da capacidade de raciocino e de adaptação, não vêm sendo mais considerado como padrão para a garantia do sucesso profissional, de maneira que a Inteligência Emocional surge como um novo critério de avaliação uma vez que esta aparece no gerenciamento de diversos aspectos da competência emocional.

O QI clássico, como medida global, só é capaz de explicar no máximo 20% do sucesso profissional, na universidade ou no trabalho. O que busca, portanto, é uma medida capaz de explicar, por assim dizer, 80% restante. E, nesse aspecto, depositam-s todas as esperanças nas já mencionadas inteligência emocional e social (Neubauer, 2004, p. 57).


O QI mantém uma estreita relação com alguns aspectos da IE, mas, constituem duas entidades bastante independentes. Enquanto o QI é quase uma caricatura mental a IE faz um desenho de um coração.

Quando falamos de IE estamos falando de habilidades desenvolvidas na nossa vida pessoal como a de compreender os outros, adiar uma satisfação, comunicação, perseverança apesar das decepções, ter esperança, entre outras, que muitas vezes as temos e não sabemos e que fazem de alguns indivíduos mais bem sucedidos que outros.

Segundo Goleman (2001, p. 337) “A inteligência emocional refere-se a capacidade de identificar nossos próprios sentimentos e os dos outros, de motivar a nos mesmos e de gerenciar bem as emoções dentro de nós e em nossos relacionamentos”.

O aprendizado e aprimoramento da IE podem acontecer desde a terna idade e está relacionado com o desenvolvimento das cinco aptidões emocionais que são: conhecer as próprias emoções, lidar com as emoções, motivar-se, reconhecer emoções nos outros e lidar com os relacionamentos.


- Autoconsciência

A capacidade de reconhecer um sentimento quando ele ocorre é a pedra de toque da IE como dizia Sócrates “Conhece-te a ti mesmo”. Esta habilidade está relacionada com competência de controlarmos os nossos sentimentos a cada momento e por isso, está ligada diretamente a autocompeensão e o discernimento emocional, assim as pessoas que esta capacidade está bem desenvolvida são melhores pilotos de suas vidas.

A autoconsciência também conhecida como metacognição ou metaestado de espírito significa segundo Goleman, (2001, p. 60) “estar consciente ao mesmo tempo de nosso estado de nosso estado de espírito e de nossos pensamentos sobre esse estado de espírito”. Dessa forma, as pessoas que têm uma maior sintonia com seu coração certamente são mais capazes de entender as suas mensagens.

Segundo Mayer apud Goleman (2001) as pessoas têm a tendência de adotar estilos típicos para acompanhar e lidar com as emoções que são os indivíduos ditos autoconscientes, os mergulhados e os resignados.

Autoconscientes: conscientes de seu estado de espírito no momento em que ele ocorre, essas pessoas, evidentemente, são sofisticadas no que diz respeito a sua vida emocional. A clareza com que sentem suas emoções pode reforças outros traços de sua personalidade: são autônomos e consciente de seus próprios limites, gozam de boa saúde psicológica e tendem a ter uma perspectiva positiva sobre a vida. Quando entram em um estado de espírito negativo, não ficam ruminando nem ficam obcecadas com isso e podem sair dele mais rápido. Em suma, a vigilância ajuda a administrar suas emoções. Mergulhadas: são pessoas muitas vezes imersas em suas emoções e incapazes de fugir delas, como s e aquele humor houvesse assumido o controle sobre suas vidas. São instáveis e não têm muita consciência dos próprios sentimentos, de modo que se perdem neles, ficando sem perspectivas. Em conseqüência, pouco fazem para escapar de um estado de espírito negativos, achando que não são capazes de exercer controle sobre as suas emoções. Muitas vezes se sentem esmagadas e emocionalmente descontroladas. Resignadas: embora essas pessoas vejam com clareza o que estão fazendo, também tendem a aceitar seus estados de espírito e, portanto, não tentam muda-lo. Parece haver dois ramos do tipo resignado: pessoas que estão geralmente de bom humor e por isso poça motivação têm para mudá-lo, e as que, apesar de verem com clareza seus estados emocionais, são susceptíveis aos maus estados emocionais e os aceitam com um deixar rolar, nada fazendo para mudá-los (Goleman, 2001)

Assim, a autoconsciência é fundamental em alguns aspectos da saúde mental e a existência de confusão básica sobre os sentimentos muitas vezes pode levar ao surgimento de vagos problemas médicos como a somatização. Dessa forma, os profissionais que lidam com pacientes com esses tipos de queixas assim como outros problemas devem possuir e conhecer esse aspecto da IE com o intuito garantir uma melhor assistência.


- Lidar com as emoções

A nossa vida é temperada por uma montanha - russa de emoções que dão mais garra e prazer em ser vivida. O equilíbrio de tais altas e baixas emocionais devem ser buscados com o desígnio de ter um bem - estar, ou melhor, dizendo uma vida plena.

A capacidade de lidar com os sentimentos para que esses sejam apropriados, de suportar uma enxurrada de emoções, de não se tornar um “escravo da paixão” vêm sendo analisada deste os tempos remotos. Na época de Platão tal característica era considerada uma virtude, na Grécia Clássica, estava relacionada a sabedoria e equilíbrio, para os romanos e a Igreja cristã isso representava contenção de excessos. Mas, como observou Aristóteles, o importante mesmo era o equilíbrio das emoções, ou seja, elas devem ocorrer na “dose certa”, pois a vida sem elas perde seu valor e significado (Goleman, 2001).

Diversa são as emoções que nos permeiam, mas dentre elas a raiva, a ansiedade, a melancolia são a s mais difíceis de controlar e requerem para isso grande domínio emocional.

Dentre todos os sentimentos que as pessoas mais querem se ver livres, a raiva é o mais intransigente sendo, portanto, o mais difícil de controlar uma vez que exerce forte sentimento sedutor e persuasivo para que ela ocorra.

A raiva tem origem em alguma sensação de perigo que surge mediante a uma ameaça física direta ou simbólica que atinge a auto-estima e a dignidade. A raiva é alimentada por sentimentos furiosos que quanto mais os ruminamos mais achamos bons motivos que dão vazão a esse sentimento o que nos leva a perceber que raiva alimenta a raiva. Dessa forma, A solução para essa emoção não é a catarse e sim o uso de dois tipos de intervenções. Na primeira sugere-se que se faça uma avaliação e contestação das idéias que disparam o ataque, esta atitude quebra o ciclo que a alimenta , vale salientar que só funciona em níveis de ira moderados. O segundo método baseia-se na distração onde o individuo no momento do acesso deve procurar afastar-se do ambiente e da causa da fúria e desenvolver atividades divertidas e relaxantes com ouvir uma música, ler um livro e tomar um copo de água (Goleman, 2001).

Outro sentimento bastante problemático e que atinge grande parte da população, principalmente, devido ao ritmo agitado no qual vivemos, é a ansiedade que tem o seu cerne na preocupação a qual brota de uma antecipação de um evento desagradável que tem como papel projetar soluções positivas para o enfrentamento do problema.

A ansiedade se apresenta de duas formas a cognitiva onde está presente a preocupação e a somática que apresenta associação de sintomas psicológicos e fisiológicos como taquicardia e sudorese. É importante salientar que a intensificação desse anseio pode levar ao surgimento de problemas psicológicos graves.

De acordo com Borkovec Apud Goleman (2001) para a eliminação da ansiedade o mecanismo utilizado conta com uma combinação passos onde inicialmente, o indivíduo conscientiza-se da ocorrência da emoção e monitora-se quanto a sua ocorrência, logo depois pratica atividades de relaxamento e por último faz uma crítica aquela suposições propostas pela preocupação de forma a quebrar a cadeia.

A depressão constituí o ápice da melancolia e uma de suas características clássicas constitui o isolamento social e uma reflexão sobre o quanto se estar mal que acaba por piorar o quadro do indivíduo.Assim a melhor forma de combate-la seria ter uma vida social onde sair para jantar e conversar com os amigos poderiam ser atividades realizadas além de procurar centrar sua atenção em coisas alegre e positivas.



 A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

A vida em sociedade nos coloca de frente a várias situações que exigem de nos equilíbrio emocional. Os profissionais de saúde ao lidarem diretamente com as demandas de saúde da população estão mais suscetíveis a sofrerem abalos provocados por uma enxurrada de emoções provenientes do relacionamento tanto com os pacientes como com os demais colegas de trabalho.

Os profissionais ao passarem a vida tentando aliviar o sofrimento alheio, muitas vezes a beira do leito dos pacientes, têm a missão de combater a dor física causada pela doença e suavizar as dores da alma provocadas pelo medo da morte. São médicos e enfermeiros e outros profissionais com uma rotina de emoções que oscila entre a alegria de anunciar uma vitória e a sensação de impotência diante de um quadro irreversível. São pessoas que desafiam os limites da superação e cuidam dos pacientes com desvelo. O fato, porém, é que esses profissionais também sucumbem à dolorosa tormenta dos enfermos. Como conseqüência, padecem de problemas como stress e esgotamento mental que freqüentemente resultam em depressão.

O especialista é preparado para salvar, e não para lidar com o insucesso do tratamento. Então, quando ele depara com essa situação, não sabe o que fazer e muitas vezes adoecem.

Assim, o desenvolvimento das habilidades da IE por esses profissionais é de extrema importância para que possam desempenhar suas atividades de forma plena e sem sofrerem abalos emocionais o que prejudicaria o seu desempenho e a sua vida pessoal.



 CONSTRUINDO UM CAMINHAR METODOLÓGICO

- Tipo de estudo

Esta pesquisa é do tipo sociopoética com abordagem qualitativa. A sociopoética é um método que nos permite produzir dados de uma forma prazerosa, uma vez que o conhecimento por ser algo dinâmico surge de diversas fontes como a intuição, emoção, raciocínio entre outras.
Ratificando essa idéia Santos (2005, p. 02) diz que a sociopoética:

(...) explora o potencial cognitivo das sensações, da emoção, da gestualidade, para além da imaginação, da intuição e da razão, tanto na produção de conhecimento quanto nas possibilidades de desenvolver o cuidar das pessoas.

A pesquisa qualitativa segundo Minayo (1992) trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, correspondendo a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos e a operacionalização das variáveis. Mergulha no mais profundo das relações sociais, resgatando aquilo que não pode ser expressa de maneira quantitativa.Atores sociais da pesquisa
No método sociopoético a caminhada para a produção dos dados começa com a partir do momento em que se institui o Grupo-pesquisador.


O assim chamado grupo-pesquisador é um agenciamento ou dispositivo, ou seja, uma montagem temporal e espacial estratégico que propicia o surgimento do novo, do heterogêneo, do singular, abrindo a vida para devires inesperado e criador. (Santos; Gauthier, 2005, p. 02).


A população da nossa pesquisa foi composta de quinze funcionários do CAPS Crato, sendo a amostra constituída de seis profissionais (enfermeiro, psicólogo, professor de artes, recepcionista, assistente social e professor de música). A instituição também conta com três médicos, os quais não participaram do estudo, pois não estavam presentes nas reuniões; um pedagogo que estava de férias, dois auxiliares de serviços gerais que não aceitaram participar da pesquisa e dois auxiliares de enfermagem onde um não compareceu a segunda fase da aplicação do instrumento e outro estava de folga.

Vale ressaltar que apenas um dos participantes era do sexo masculino (professor de música), e que somente dois dos protagonistas possuíam pós-graduação em Saúde Pública.

O estudo foi desenvolvido no Centro de Atenção Psicossocial - CAPS do município do Crato. Esta escolha deu-se devido ao fato de que neste serviço os profissionais prestam serviço a pacientes com diversos tipos de transtornos psicóticos gerando situações de forte apelo emocional. O período do estudo teve início em novembro de 2006 e término em agosto de 2007.


- Produção da subjetividade: sociopoetizando os dados

O conhecimento produzido foi separado em cinco categorias e analisado, simultaneamente, a partir de duas visões: a proposta pela sociopoética e a especificada na escala de MEIS.

De acordo com a sociopoética os dados produzidos podem ser analisados a partir quatro perspectivas, mas, optamos por utilizar apenas uma, a análise filosófica. Segundo Santos e Guauthier (2005, p. 12-13) fazemos uma análise filosófica “a partir de referências teóricas escolhidas pelo/a facilitador (a) segundo suas inclinações ou ainda pelo Grupo-Pesquisador inteiro estruturado em grupos”. Como a escala de MEIS é um instrumento baseado no desempenho do sujeito, na qual existe uma resposta correta para cada item escolhido a partir de princípios lógicos, optamos pelo sistema de pontuação pelo consenso, segundo o qual se atribuem pontos proporcionalmente ao número de pessoas que optaram pela mesma alternativa (Mayer & Cols., 1990 Apud Bueno Et Al, 2006).

A Escala Multifatorial de Inteligência emocional (The Multifactor Emotional Inteligence Scale – MEIS) segundo Roberts, Mendonza e Nascimento (2002) é composta de:

1) Identificação/ percepção das emoções. A escala avaliou a capacidade do indivíduo em perceber e diferenciar as emoções em uma variedade de estímulos. É composto de quatro subescalas: faces, música , design ( gráficos gerados por computador) e histórias ( narrativas). Cada subescalas contém entre 42 a 48 estímulos que representam uma diversidade de emoções: raiva, tristeza, felicidade, medo, repugnância e surpresa. Os participantes foram solicitados a determinar os sentimentos que representam os estímulos baseados em uma escala de cinco pontos: (1) definitivamente não presente a (5) definitivamente presente.
2)Assimilação das emoções. Tem como objetivo avaliar a capacidade do indivíduo em comparar as emoções e identificar aquelas que são contrárias ou influenciam outras sensações e pensamentos, assim como manter emoções que facilitem determinada ação ou pensamento. A escala foi formada de duas subescalas: sinestesia (seis cenas, 60 estímulos), em que os participantes foram solicitados a imaginar um determinado evento com sua correspondência emoção e, logo em seguida, a descrever as emoções sentidas em uma escala de diferencial semântico de cinco pontos: frio-morno, amarelo-roxo, perspicaz-torpe, rápido-lento, escuro-claro, baixo-alto, laranja-azul, agradável-desagradável, bom-ruim, azedo-doce; sentimentos enviesados (quatro cenas, 28 itens), em que os participantes foram convidados a imaginar os sentimentos de uma personagem descrita no cenário (ex. medo e angústia) e depois a julgarem a pessoa fictícia em sete traços (triste, confiável, tensa, cínica, agressiva, controlada, precipitada) utilizando uma escala de cinco pontos: (1) definitivamente não descreve e (5) definitivamente descreve.


- Questões éticas

Ressaltamos que a pesquisa foi fundamentada nos princípios éticos emanados da Resolução Número 196/96 Sobre A Pesquisa com Seres Humanos (Brasil, 1996, P.15-25), O Qual Pretende Atender

As Exigências Éticas E científicas no que diz respeito aos direitos do ser humano, quando sujeitos a algum tipo de pesquisa. Foi enviado previamente um ofício à instituição a fim de solicitar autorização para a realização da produção de dados. A pesquisa contou com o consentimento livre e esclarecido dos entrevistados (Anexo A), respeitando-os em sua autonomia e dignidade, assim como comunicados sobre a importância que o estudo teve para a comunidade alvo. Com relação aos riscos e benefícios, asseguramos que nenhum dano foi causado ao grupo-pesquisador, e sim oferecemos a possibilidade de gerar conhecimento, além de contribuir para o melhor equilíbrio emocional dos participantes.




 PENSANDO NO SER HUMANO... FALANDO DAS EMOÇÕES...


Neste mundo com tantas descobertas, tantos recursos e mudanças de paradigma encontramo-nos esquecidos de nós mesmos, mal cuidados e jogados a própria sorte. A crise do mundo atual faz-nos deslembrar de que somos cidadãos e retira-nos assim a nossa qualidade de vida. Esta entendida como condições aceitáveis de vida social, psíquica, biológica e principalmente emocional, pois, devemos compreender o ser humano como algo holístico, em sua totalidade, ou seja, integrando as partes de um todo (AMBROZANO, 2002).

O ser humano é formado de um grupo de sistemas que interligados formam a máquina humana. Esta que pensa, chora, ri, sente, agradece, vibra, sente medo, se alegra, tem fé, adoece, dorme, estuda, trabalha, precisa de cuidados e falece, têm suas necessidades que precisam ser sanadas para que ele possa viver bem.

A face - Mediante a apresentação da primeira face verificamos que todos os sujeitos da pesquisa afirmaram ser Felicidade a emoção percebida, dando uma pontuação (5) que representa estar definitivamente presente a emoção identificada e um escore de 1 segundo o consenso.

Segundo Campos e Presoto (1998, p. 24) a emoção segundo Goleman deriva do latim “movere” – mover – acrescido do prefixo “e” denotando afastar-se e indica a propensão da palavra emoção para uma ação imediata. Dessa forma qualquer tipo de sentimento provoca no ser humano uma resposta física característica.

Na segunda face apresentada à maioria dos atores relataram ser Tristeza o nome do sentimento que mais a representa, dando uma pontuação na escala de MEIS de cinco que significa que aquela emoção estava definitivamente presente, obtendo assim um escore de 0,6 de acordo com o consenso.

Segundo Beltrán (1998) estudiosos falam que quando somos atingidos por um determinado sentimento nossa mente mostra uma duplicidade: a racional e a emocional. A primeira é capaz de parar e pensar imediatamente enquanto que a segundo age irrefletidamente, dessa forma observamos alterações sutis na musculatura facial e na fisiologia corporal próprios da emoção vivenciada.

As várias melodias de uma letra... A música segundo Wazlawick (2006) é criada pelo uso cultural e pessoal do som e está inserida em diversas atividades sociais, de onde emergem múltiplos significados. Dessa forma uma mesma melodia pode ter diversos significados para diferentes pessoas. O que chamamos de canção não está apenas relacionado com a matéria musical em si, mas, com toda uma rede de significados construídos a partir de um contexto sócio-histórico dos indivíduos.

Mediante a apresentação de oito músicas e ao questionarmos o Grupo-pesquisador sobre qual emoção se fazia presente quando eles as escutavam verificamos que uma mesma canção produzia uma emoção, um significado diferente para cada participante. Os resultados obtidos foram: Para a música Asa Branca (Luiz Gonzaga) verificamos que metade dos participantes afirmou que Tristeza era o sentimento que mais caracterizava a emoção sentida dando assim uma pontuação cinco (definitivamente presente segundo a escala de MEIS) e alcançando um escore de 0,5 pelo consenso. Na canção Caribean Blue (Enya) observou-se que está melodia assinalava uma emoção de Surpresa o que correspondia a uma concordância de 0,3 entre os atores sociais. Já na 9ª Sinfonia de Beethoven o sentimento que estava absolutamente presente (nota cinco) foi o de Tristeza, correspondendo a um escore segundo o consenso de 0,3. Na música Palavras Repetidas (Gabriel O Pensador) as emoções Raiva,
Repugnância, Tristeza, Medo, Surpresa e Felicidade obtiveram um escore de 0,16 de concordância já que para cada participante houve uma representatividade diferente. Na música Homem é Homem (Falcão) a maioria dos protagonistas concordou ser Felicidade a emoção mais presente, alcançando assim 0,3 de aceitação. Ao colocarmos a melodia Eletrônica 3 (Tecno) e Faixa Amarela (Zeca Pagodinho) a pontuação pelo consenso foi de 0,6 para Felicidade o que significa que a grande parte dos profissionais concordou que este era o sentimento que estava definitivamente presente em ambas as músicas. Felicidade foi também a emoção mais presente nas respostas dos atores na música Amigos do Peito (Turma do Balão Mágico) representando que o acordo entre os sujeitos teve uma nota de 0,6.

As emoções medeiam toda a realidade humana e estão presentes constantemente na relação do indivíduo com o mundo. São frutos da dinâmica com o contexto social em que vivem. A música é capaz de fazer brotar no seres humanos variados sentimentos e significados frutos de uma construção pessoal e social.

Assim, verificamos que a música é um ótimo instrumento para avaliar a capacidade dos participantes de distinguir e diferenciar as emoções sentidas uma vez que segundo Wazlawick (2006, p. 06) apud Vygotsky (1999) “a arte provoca emoção e a música articula pensamento emocional que primeiramente é sentido e vivido. O sentimento é o caminho para se perceber a arte”.

As representações do inconsciente... O mundo atual com suas inovações tecnológicas vem propondo novas formas de comunicação como os Design gráficos. Ao ter como compromisso o diálogo, as imagens utilizam-se de diferentes recursos e estratégias capazes de articular mensagens em seus aspectos visuais.

Segundo Gruszvnski (2000, p. 142) “o design gráfico é visto como uma categoria abrangendo qualquer forma de comunicação em que sinais são rabiscados, entalhados, desenhados, colados, projetados ou de alguma outra forma inscritos em superfície”.

Aplicamos oito design, forma singular de expressar mensagem, ao Grupo-Pesquisador procurando fazer com que fossem alvos de um bombardeamento sentimentos e, a partir disso pedir-lhes que nos relatassem quais as emoções foram identificadas e percebidas.

Foram diversas as sensações descritas pelos atores sociais de acordo com cada figura apresentada. Foi dada uma pontuação de cinco segundo a escala de MEIS o que significa que aquele sentimento estava definitivamente presente.

No primeiro, segundo e terceiro design apresentado, a metade dos participantes assinalou que Tristeza, Repugnância e Felicidade foram o que sentiram, respectivamente, ao visualizarem as imagens, fazendo com que obtivessem um escore de 0,5 de acordo com o consenso. Na visualização da quarta, quinta e sexta figura, respectivamente, Tristeza, Surpresa e Medo foram os sentimentos mais assinalados alcançando assim uma concordância pela maioria de 0,3. Ao colocarmos as duas últimas gravuras, os sentimentos apontados foram de Surpresa e Felicidade, respectivamente, de forma que o primeiro obteve um escore de concordância de 0,5 e o segundo de 0,8.

A festa das letras... Quando falamos em diferenciar a palavra estórias de histórias muitos autores afirmam que estas duas palavras não têm distinção, que possuem o mesmo significado. Contudo, há quem defenda a idéia da diferença como é o caso de Michaelis (2004) que diz que estórias constituem narrativas de lendas, contos tradicionais de ficção.

De acordo com Barreto e Dias (2006) ler ou escutar uma estória são experiências carregadas de emoções e conflitos, com dificuldades relacionadas ao fato de narrar e de ouvir com atenção, que exigem muita responsabilidade. Ao executarmos essas tarefas devemos ter o cuidado de sempre preservar a singularidade, de forma a garantir a expressão dos significados e emoções próprias de cada experiência vivida.

O uso de estórias foi outra estratégia utilizada por nós para que os sujeitos da pesquisa fossem capazes de reconhecer as suas próprias emoções uma vez que a corrente de sentimentos está presente em nós de maneira constante.

Na estória Os preguiçosos (VERÍSSIMO, 2003, P. 107) o sentimento que segundo o consenso recebeu escore de 0,3 foi o de Surpresa. Em Festa (Piroli, 2005, P. 82-83) segundo os participantes nenhum sentimento foi identificado obtendo assim uma nota de concordância pela maioria de 0,5. Nos textos Nós, o pistoleiro, não devemos ter piedade (Sciliar, 2005, p. 65-66), Soluço antigo (Pinto, 2005, p. 114) e Pânico (Salgueiro, 2005, p. 34-35), respectivamente, tiveram como sentimentos percebidos por 0,3 do consenso como sendo o de Tristeza, Raiva e Tristeza. Felicidade foi a emoção que alcançou uma concordância entre os atores sociais de 0,5 e 0,3 nos textos Sexa (Veríssimo, 2003, p.18-19) e Poesia (Carneiro).No último conto apresentado, Olho de cão (Oliveira, 2005, p.24), a metade dos protagonistas assinalaram que não conseguiram identificar nenhum sentimento da escala de MEIS como presente fazendo com que obtivessem um escore de 0,5.Vale ressaltar que os sujeitos da pesquisa em todas as estórias pontuaram com cinco a escala de MEIS o que significa que o sentimento está definitivamente presente.

Conforme os resultados acima, podemos constatar que apesar de algumas vezes os participantes não assinalarem nenhum sentimento em suas respostas, demonstraram que realmente saber identificar, que tem consciência de quando um sentimento ou emoção está realmente presente.


- Assimilando as emoções- Gerenciados pelo coração...

Esta segunda parte da escala procura avaliar aptidões emocionais e cognitivas, ou seja, a capacidade de autocontrole e empatia, respectivamente, dos sujeitos da pesquisa. A auto-regulamentação, uma habilidade para administrar bem os impulsos, como também os sentimentos aflitivos, depende dos centros emocionais e estão no âmago de cinco competências e, entre elas está o autocontrole.

Na primeira imagem, verificamos que grande parte dos sujeitos (escore 0,8) relatou sentir emoções positivas (alegria, tranqüilidade) ao se imaginar neste local. Com relação à escala de MEIS a pontuação cinco (definitivamente descreve) foi dada à opção agradável-desagradável.

Ao apresentarmos o segundo slide, o consenso (escore 0,8) entre os participantes foi de que a sensação de estar naquele local representava sentimentos negativos como medo, tristeza e pavor. Pela sinestesia o sentimento aguçado foi o tato representado pela opção frio-morno.

Já com relação à figura três a concordância (escore 0,6) entre os atores foi de que emoções como paz, felicidade e tranqüilidade estavam presentes quando se imaginavam neste ambiente.

No que diz respeito à semântica, a visão foi o sentido escolhido mediante a pontuação ser dada na alternativa escuro-claro.

Com relação à quarta imagem todos os protagonistas (escore 1) relataram sentir emoções negativas (medo, raiva) ao se colocarem neste espaço, sendo bom-ruim a escolha pelo diferencial semântico.

Sentimentos negativos como tristeza e solidão foram citados pela totalidade dos atores sociais (escore 1) ao apresentarmos a quinta figura.

Pelo uso da sinestesia o tato foi o sentido associado a estas emoções, sendo representado pela escolha de frio-morno.

Por fim no sexto slide por unanimidade (escore 1), os sentimentos positivos como alegria, paz e felicidade foram relatadas. No que diz respeito ao diferencial semântico, agradável-desagradável foi eleita pelos participantes.

Todas as opções assinaladas pelo Grupo-Pesquisador, no que diz respeito ao diferencial semântico, foram pontuadas com cinco seguindo o critério estabelecido pela escala de MEIS.



 E ONDE TUDO TERMINOU

Observamos com este estudo que apesar de muito se falar atualmente sobre essa temática, muitas pessoas, mesmo possuindo algumas de suas habilidades, ainda a desconhecem. É importante falar sobre isso por que em meio a uma odisséia de emoções, as pessoas conscientes de seus sentimentos, motivadas e com controle de suas emoções iram se sair melhor mediante as situações difíceis impostas pela vida.

De acordo com os resultados, os profissionais do CAPS apresentaram um bom nível de Inteligência Emocional e com aptidões emocionais, cognitivas comportamentais bem desenvolvidas para este padrão.

Em geral, verificamos que a maior parte do grupo pesquisado é emocionalmente equilibrada, conseguindo controlar suas emoções diante de situações perturbadoras, o que constitui uma forma de prevenir o aparecimento da doença e de reconhecer que os clientes são beneficiados não só com a satisfação de suas necessidades biológicas, mas também com as psicológicas.

Constatamos também que as habilidades cognitivas também são muito bem desenvolvidas, o que garante que os profissionais sejam compromissados, conscientes de si, capazes de serem solidários e que apesar de conviverem constantemente com diversos pacientes com transtornos mentais têm a capacidade de dominar as suas emoções.

No que se refere à capacidade comportamental utilizam bastante a linguagem corporal e são aptos em conversar eficazmente e com clareza independente da forma o que é importantíssimo quando lidamos com seres humanos.

É certo que apesar do bom desempenho observado pelos sujeitos pesquisados, a compreensão efetiva sobre a Inteligência emocional e o seu aperfeiçoamento é de extrema importância para o melhor desempenho profissional e bem estar pessoal.

Por último, a contribuição que esta pesquisa pode deixar é que os profissionais do CAPS possam utilizar-se das informações obtidas para refletir sobre as seguintes situações: a) apesar de emocionalmente competentes, é sempre bom procurar se aperfeiçoar cada vez mais, pois isto apenas vai legitimar que ótima pessoa e profissional você é; b) ao aplicar os preceitos da Inteligência Emocional, os benefícios serão sentidos não só em si mesmo mas, principalmente pelos clientes que são a peça chave da nossa assistência, ou seja, tudo gira em prol do bem estar do mesmo.




 REFERÊNCIAS

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GOLEMAN, Daniel. Trabalhando com a inteligência emocional. Tradução de M. H. C. Côrtes. Rio de janeiro: Objetiva, 2001.
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GRUSZYNSKI, Ana Cláudia. Design gráfico: do invisível ao ilegível. Rio de Janeiro: 2AB, 2000. Disponível em: . Acesso em: 07 ago. 2007.
NEUBAUER, Aljoscha C. A Arte de compreender o desconhecido. Como avaliar a inteligência? O modelo de quociente intelectual e cada vez mais ameaçado por novas formas de inteligência: a emocional e a social. Viver: mente & cérebro. v. 13, n. 142 , p. 52-57, nov. 2004.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento. Pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucicet/Rio de Janeiro: Abrasco, 1992.
PINTO, Tiago de Oliveira. Som e música. Questões de uma antropologia sonora. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 44, n. 1, 2001. Disponível em: . Acesso em: 07 ago. 2007.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. Festa de criança. São Paulo: Ática, 2003.



Sobre as autoras:

1. Cícera janielly de Matos Cassiano é bacharel em Enfermagem;

2. Cleide Correia de Oliveira é Enfermeira, Mestre em desenvolvimento Regional e Professora Adjunta da Universidade Regional do Cariri - URCA. (cleidecorreia27@hotmail.com).







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